sexta-feira, 26 de março de 2021

Comunicações


O  vento  tinha -  me comido
parte da cara e das mãos
chamam me anjo androjoso

  Eu  esperava 

Sombra dos dias

                               a  Ana   Pereira

Amanhã

vestir - me - aõ  com cinzas ao amanhecer
encher - me - aõ  a boca de flores
apreenderei a dormir na memória
de um muro na respiração de um
animal



 Construíste  a  tua  casa

emplumaste os teus pássaros

golpeaste  o vento

com os teus pròpios  ossos


terminaste sozinha

aquilo que ninguém

começou ...

Palavras


 

Estes  ossos brilham  na noite

estas palavras como pedras

preciosa na garganta viva

de um pássaro purificado

este verde muito amado

esta lã quente este coração

sò misterioso


explica com palavras

deste mundo que partiu

de mim um barco levou - me

Por um minuto de vida breve


 Por  um minuto de vida breve

única de olhos abertos

no cérebro flores pequenas

dançando como palavras

na boca de um mudo


ela despe- se no paraíso

da sua memória

ela desconhece o feroz

destino das suas visões

ela tem medo de não saber

dar nome o que não existe ...


Saltei

 Saltei de mim para a alba

deixei o meu corpo

junto à luz e cantei

a tristeza do que nasce

apenas a sede o silêncio

nenhum encontro cuidado

comigo meu amor

cuidado com o silêncioso

no deserto com o que viajo

de copo vazio e com a sombra

da sua sombra ...



TEMPO


 Não  sei  da infância

mais do que um medo

luminoso e uma mão

que me arrasta ao meu

outro lado ... minha

infância e seu perfume

de pássaros acariciados

TIEMPO

Yo no sè de la  infancia

màs  que un miedo luminoso

y na mano que me arrastra

a mi otra orilla


mi infancuia y su perfumme

a pàjaro acariciado ...

A jaula


 Là  fora  há sol

È  apenas o sol

mas os homens olham - no

e depois cantam

Eu não sei

eu sei da melodia do anjo

e o sermão quente  do último

vento sei gritar atè de madrugada

quando a morte se põe nua na minha

sombra  choro debaixo do meu nome

abano lenços na noite e barcos sedentos 

de realidade bailam comigo escondo cravos ...


Viagem

o beijo da quilha na boca da água vai - me tocando entre o céu e o mar o azul de outro azul enquanto na funda transparência sinto a vertigem...