domingo, 19 de setembro de 2021

Origem


 Há que salvar o vento

os pássaros queimam o vento

nos cabelos da mulher solitária

que regressa da natureza e tece

tormentos  há que salvar o vento

Apenas um nome

alejandra alejandra

por baixo estou eu

alejandra


Origen




Hay que salvar al viento

los pàjaros queman el viento

en los cabellos de la mujer solitaria 

que  regresa de la naturaleza y teje

 tormentos hay que salvar  el viento

sòlo  un nombre

alejandra alejandra

debajo estoy yo

alejandra

quarta-feira, 15 de setembro de 2021

há pessoas

que choram por saber que as rosas

têm espinhos hà outras que sorriem

por saber que os espinhos têm rosas
 

terça-feira, 14 de setembro de 2021

o fraco

jamais perdoa o perdão

è uma das características

do forte
 

o que sabemos è uma gota

o que ignoramos è um oceano

o grau mais elevado da sabedoria

 humana è saber adaptar o seu carácter

às circunstâncias e ficar calmo apesar

da tempestade exterior
 

jamais se desespere

em meios de sombrias aflições de sua vida

pois das nuvens mais negras cai água limpa

e fecunda


 

feliz

aquele que transfere o que sabe

e aprende o que ensina saber não

è bastante precisamos de fazer
 

escuta e seràs sàbia

o começo da sabedoria è o silêncio

quando vires um homem bom

tenta imita -lo quando vires um

homem mau examina - te a ti mesmo
 

a única coisa tão inevitável

quanto a morte è a vida

ser feliz não è ter uma vida

perfeita mas deixar de ser vitima

dos problemas e tornar - se o autor

da própria história
 

não esperes

que a vida seja generosa

contigo se tu não  ès grato

pelo que ela já  lhe està a dar
 

vivemos na esperança


 de que as coisas mudem de que as pessoas mudem

atè que um dia mudamos e vemos que nada mais

è preciso mudar

saber de cor


 não è saber è conservar aquilo que se deu

a guardar a memória a vida ensinou - me

a pensar duas vezes antes de agir nos momentos

maus e duas vezes mais os bons quem pensa pouco

erra muito nòs vivemos na esperança que as coisas mudem

que as pessoas mudem atè que um dia nòs mudamos e vemos

que nada mais è preciso mudar

sabemos o que somos

mas não sabemos o que podemos ser

lembro todos os dias a mim mesmo

que a minha vida interior e exterior

depende dos trabalhos de outros homens

vivos ou mortos e que devo - me esforçar

a fim de devolver na mesma medida que recebi

eu não procuro saber as respostas  procuro compreender

as perguntas a educação è uma coisa admirável mas è bom recordar que nada do que vale a pena saber pode ser ensinado não ergas muito alto um edifício sem fortes alicerces se o fizeres viverás com medo
 

para ver muita coisa

è preciso despregar os olhos de si mesmo

escuta e serás sábia o começo da sabedoria

è o silêncio  saber não è o bastante precisamos

de fazer
 

chega - te aos bons

e serás um deles chega - te aos maus

e serás pior do que eles

o fraco jamais perdoa perdão è uma

característica do forte
 

no ventre em flor

da minha amada  semeio

escrevo  multiplico o teu

nome
 

um pequeno nenùfar

preso num lago rodeado de terra

levanto a cabeça enquanto caí uma lágrima

de encontro à folha
 

falo - te

de poemas de histórias inventadas

à sombra do calor do corpo ouço

a imensidão do rio  galgando as areias

fundas atè a foz
 

luz mortal

que das entranhas lhe subisse 

a garganta a sua mortalidade

de mulher canta com a pedra

a lìngua de versos a lìngua

da fala lìngua recebida lábio

a lábio beijo ou silaba clara leve

limpa
 

não aprendi

sem esfacelar às pétalas

falta - me o dedo menino

de quem costura desfiladeiros

de criança eu sabia suspender

o tempo soterrar abismos e nomear

as estrelas
 

no riso nas lágrimas


 no coração da  pàtria 

escrevo semeio o teu

nome


amei - te

sem saberes amei - te sem o saber

amando - te  de te procurar de te

inventar nos contornos do fogo
 

è madrugada

hoje o sol não nasce

a noite perdura na imensidão

dos lábios
 

como tu tambèm eu

sussurro  lentas silabas

a leve melancolia que nos

abraça
 

falo - te deste poema

recordo o teu sorriso o amor

que na boca dos peixes da foz

com ele adormece
 

Viagem

o beijo da quilha na boca da água vai - me tocando entre o céu e o mar o azul de outro azul enquanto na funda transparência sinto a vertigem...